Como o Twitter sempre sabe quem vence o BBB?

Para entender como o Twitter sempre sabe quem vence o BBB, devemos compreender todo processo que se iniciou com a popularização das redes sociais. Diversas mudanças ocorreram não apenas no programa, mas no tipo de público e na forma com que essas pessoas se relacionam com o reality. Do público heterogêneo aos fandoms, muita coisa mudou!

O gênero televisivo reality show

O reality show já faz parte da grade de programação brasileira desde os anos 2000, quando a Rede Globo exibiu “No Limite”, baseado no reality americano “Survivor”, em que participantes anônimos deveriam vencer privações e completar provas para ganhar o jogo. Dentro do gênero dos reality shows, existem subgêneros, como os realities que contam com a participação do público. Exemplos disso são “A Fazenda” (Record) e “Big Brother Brasil” (Globo).

O fluxo comunicacional entre plataformas é também característico dos reality shows que dependem da participação do público. Desde o surgimento, o BBB trabalha com a relação entre a TV e ligações telefônicas/SMS; com os acontecimentos dentro da narrativa do programa; e a opinião do público (que aparece na forma dos resultados dos paredões). Agora, esse fluxo se desenvolve entre a TV, com as possibilidades narrativas do BBB, e o Twitter, que permite os agenciamentos dos fandoms.

Audiência e fluxo comunicacional

A própria audiência do programa também mudou, alicerçada pelo desenvolvimento da web. O público, que já se diferenciava do restante por ter alguma escolha diante dos acontecimentos narrativos do programa, é hoje uma audiência criativa, que não está satisfeita em impor uma vontade individual, mas um anseio do grupo como um todo. Os fandoms são formados por pessoas dispersas geograficamente, movidas por interesses comuns pela cultura popular (nesse caso, o BBB16), e que agem com o intuito de jogar o BBB da forma mais participativa possível. O que move esses fãs é o desejo de fazer do participante escolhido o grande vencedor do programa.

Para a social TV, o fluxo comunicacional dos fãs do BBB16 é um caso de sucesso
por mostrar um engajamento intenso durante os três meses de exibição do programa. O fandom é uma organização quase homogênea, focada em seu objetivo, que desenvolve estratégia, e que, principalmente, se sente parte das vitórias e das derrotas do participante. É exatamente pela comunicação acontecer em fluxo, que ora a TV se mostra como primeira tela, ora como segunda, e o mesmo acontece com o Twitter.

O Big Brother Brasil é exibido há mais de uma década no país e já acumulou grandes números em audiência. O que se percebe agora é que, a cada ano, a
audiência vem caindo drasticamente na TV . Mesmo assim, ela ainda é maior que em muitas outras atrações de outros canais abertos. De acordo com a matéria do site Correio Braziliense, o BBB14 teve a audiência mais baixa de todos os programas, alcançando 24 pontos, enquanto a edição de 2005 teve o maior número com 69,7% de participação tradicional. Entretanto, mesmo com essa crise, a matéria destaca a renovação do reality até 2018.

O ambiente digital, a cultura participativa e a convergência mudaram a subcultura de fã a partir do momento em que concederam a esses grupos acesso a seus programas preferidos, divulgação de fanfictions, comentários, jogos, formas de interação variadas a qualquer momento, de qualquer lugar, para qualquer pessoa.

Um dos pressupostos do programa é que a audiência interaja no andamento e no resultado da atração, por meio das votações que acontecem toda semana para eliminar um participante. Pensar que a audiência tem poder para combinar votos e provocar a vitória de um participante parece irreal, considerando todo o histórico do programa: antes, era necessário apenas que pessoas dispersas geograficamente, com interesses e gostos opostos votassem na permanência de um mesmo participante, talvez, por mero acaso. Atualmente, é possível promover mutirões de votos. O Big Brother virou um jogo de estratégia não apenas para quem está dentro da casa, e para quem vota do lado de fora, mas também, e, principalmente, para quem acompanha e participa pelas redes sociais. O BBB se tornou um jogo em que a TV e a web têm que estar em sintonia para que ele aconteça.

Mas afinal, como o Twitter sempre sabe quem vence?

Os fandoms já popularizaram sua forma de agir: quando querem que algum participante saia do BBB, utilizam a #ForaFulano. Quando querem que o participante continue no programa, utilizam a #FicaFulana. O Twitter sempre sabe quem ganha (ou tem a possibilidade maior de saber), porque é nessa rede social que os fandoms agem com esse padrão, e basta uma busca rápida das hashtags citadas que é possível ter uma noção do participante mais indicado a ser eliminado. Quanto maior as menções de #ForaFulano, em relação as menções de #FicaFulano, maior é a chance de fulano ser eliminado. Plataformas como a Tweetreach conseguem fazer essa busca.

Um dos primeiros casos de sucesso dos fandoms presentes nas torcidas do BBB, aconteceu em 2014. O fandom “clanessa”, como ficou conhecido o grupo de fãs das participantes Clara e Vanessa, ganhou destaque ao desenvolver uma série de estratégias para que as participantes vencessem o programa. Até a Rede Globo reconheceu o trabalho desses grupos, e algumas das moderadoras dos principais perfis que coordenavam mutirões de votos, foram convidadas a participar do Encontro com Fátima, logo após a final do reality.

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